Mulher jovem sorrindo

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“Mulher jovem sorrindo”, 1880. Fotógrafo: Carlos Relvas (Golegã)

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As férias grandes

Peguei na mochila e fui fazer uma viagem à infância. Havia coisas boas na minha infância. Sim, os chocolates, os livros. Mas também os comboios. Aqueles que me levavam para casa dos avós, a duzentos quilómetros da capital, cortando a paisagem campestre, parando nas estações onde aguadeiras vinham à janela vender-nos água, ou bolinhos doces, ou flores. O comboio era puxado por uma locomotiva a carvão (logo depois a diesel), que respirava fumo e apitava solenemente à passagem por determinados locais. Era tudo tão espantoso, que eu não tirava os olhos da janela para poder guardar toda a novidade dentro de mim. Tão espantoso como ver a locomotiva a receber água numa estação, ou seguir um comboio com dezenas de vagons de mercadorias puxado por uma locomotiva e empurrado por outra, para conseguir ultrapassar subidas mais íngremes. Quando chegava à aldeia, chegava a um mundo completamente diferente. Os meus avós iam buscar água à fonte e lenha ao pinhal, numa carroça puxada por uma mula ladina e teimosa. Os ovos nasciam na capoeira num caixote com palhas; e matava-se as galinhas para fazer uma bela canja. Se queria fruta subia às árvores ou apanhava cachos de uvas das latadas. Também havia um pequeno riacho onde eu podia deitar um barquinho de papel e ficar a vê-lo navegar ao sabor da corrente. Só não tinha amigos. Na aldeia só havia velhos como os meus avós, ou um pouco mais novos. Para mim, eram todos velhos. A emigração levara os mais novos e os filhos nasciam longe, lá para as franças, como diziam. Ainda não havia televisão, nem informática, nem internet, nem smartphones, nem plástico. Apenas rádio. E livros e jornais. As férias grandes.

Carlota Joaquina

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Carlota Joaquina, infanta de Espanha, Rainha de Portugal, 1785,

por Mariano Salvador Maella

Lucian Freud

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Lucian Freud, “Rapariga com casaco escuro”, 1947. Óleo s/ tela

Homem com barbas

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Pablo Picasso, 1962. Linogravura sobre papel

Nós, os pacíficos revoltados

É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.

Miguel Torga

Os patrulheiros

O mundo está cada vez mais cheio de patrulheiros da opinião e do gosto. Para meu desgosto.